Querido diário,
Tenho ficado preocupada de uns tempos para cá: muitas coisas estranhas estão acontecendo com meu cabelo!
Vou explicar:
As coisas começaram a ficar bem desastrosas mesmo depois que a gente entrou naquela caverna horrível. Tinha conseguido sair relativamente ilesa das lutas até então, mas aí o Kalyan morreu e resolvemos ressucitá-lo, em um ritual muito ventoso. Acho que é porque o Jever é inexperiente nisso.
O Jever teve que realizar um ritual muito longo, de +- 8 horas. Eu e a Aritana resolvemos ajudá-lo porque parecia ser um ritual extremamente perigoso. Só que, no meio da coisa, começou uma ventania tão forte que começou a carregar tudo – potes de componentes, folhas secas, pedrinhas, terra! Meus cabelos começaram a voar também, e ficou todo sujo de pó porque no lugar onde a gente estava tinha muita terra solta, sabe, aquela poeira preta misturada com musgo e insetos mortos. Além disso era um lugar muito fedorento e abafado; não sei como consegui suportar aquela confusão.
No meio do redemoinho o Kalyan começou a brilhar, acho que era o momento da volta dele para o “nosso mundo”, não sei bem porque não entendo de ressucitamento. Nesse mesmo momento veio uma coisa junto com a alma dele, parecia um espectro! O espectro se atracou com o Auden, que estava lá assistindo tudo com uma cara de quem nunca viu alguém sendo ressucitado e, depois de tentar congelar a alma do Auden sem sucesso, o espectro foi embora.
Depois de 8 horas, o Kalyan reviveu.
Não acreditei no começo, porque o Jever nunca havia feito uma coisa desse tipo antes. Mas depois que o Auden colocou aquele espelhinho na frente do nariz do Kalyan e ele ficou embaçado, vimos que estava respirando de verdade! Só que ele estava muito fraco, sem forças para roubar nada.
Foi aí que decidimos voltar para Paraíso do Inverno naquela inesquecível viagem de bulete
Belwar, o gnomo das profundezas, deu ofereceu os buletes para nos locomovermos pelos subterrâneos afora. Aí alguém deu a idéia de irmos de bulete para Paraíso do Inverno. Foi horrível. Naquele momento teria prefirido enfrentar uma horda de hobgoblins do que passar por aquela experiência aniquiladora de cabelos e tez macia.
Foi assim. O Belwar pediu para a gente se ajeitar e nos amarrarmos bem nos nossos assentos na cabine maior na parte de trás. Aí as portas e janelas se fecharam. Até aí tudo bem, porque eu já viajei de cavalo e normalmente tenho que me amarrar a eles para não cair. Só que o bulete disparou que nem um doido e todo mundo começou a revirar dentro da cabine, não tinha jeito de segurar em lugar nenhum! Quando meu estômago começou a revirar, fechei meus olhos e orei para Sune e, respirando fundo, consegui controlar meu enjôo. Mas alguns de meus companheiros foram não foram tão fortes. Muitos vomitaram, mas quem vomitou mais foi a Jelly. O problema é que, como a cabine estava chacoalhando demais, o vômito da Jelly caiu em quase todo mundo, incluindo eu! Meus cabelos ficaram emplastados com aquela gosma, ficou tudo fedorento com cheiro de bíle! Que nojo!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Finalmente chegamos a Paraíso do Inverno onde imediatamente me limpei. É claro que fiz todo mundo ir até o Templo de Sune comigo para dar uma geral neles também, incluindo a relutante Jelly!
No caminho para o Templo, encontramos o Lord Dubric, que nos perguntou se já havíamos resolvido tudo. Dissemos que infelizmente não, que estávamos com uns probleminhas mas que já estávamos quase lá.
Chegando no Templo, encontrei com a irmã Linora. Foi muito bom revê-la, porque conversamos sobre fragâncias ponta-de-linha tipo essa aqui que ela me deu:

Fragância de Rosas Silvestres
Essas são rosas especiais usadas no tratamento de cabelos danificados. Irmã Linora me garantiu que me seria de grande serventia, especialmente se eu continuar andando com estes seres que chamo de companheiros. Achei melhor não perguntar por que e, depois conversarmos por mais alguns momentos sobre os mais recentes produtos de beleza disponíveis no mercado, a Irmã Linora olhou para o Kalyan e disse:
Nossa, esse seu amigo está muito fraco mesmo. Não se preocupem! Duas clérigas o acompanharão para um banho restaurador.
Enquanto Kalyan tomava seu banho restaurador com as duas clérigas, continuei minha conversa com a irmã Linora.
Momentos antes, Jever, Auden e Jelly haviam resolvido ir conversar com o mago Valtrum em sua torre, e voltaram com péssimas notícias. Primeiro, tiveram que salvar o Valtrum porque o Calaréu havia enviado 100 espectros para o matar! Depois de salvo, Valtrum disse que Calaréu é seu ex-aluno e que se associou ao Império de Netheril. Parece que os planos de Calaréu envolvem libertar o dragão Xandraxil que, ao contrário do que todos pensam, não está morto!!!
Aí alguém teve a PÉSSIMA idéia de voltarmos de bulete para a caverna. Foi uma inesquecível SEGUNDA viagem de bulete!!!
Só que essa viagem foi muito pior porque, com receio do vômito da Jelly, demos a sugestão de ela ir na boléia junto com Belwar, dizendo que até poderia aprender como pilotar buletes OBSERVANDO-O. Só que o Belwar deu as rédeas para a Jelly e ela foi pilotando o caminho inteiro de volta! Foi vômito para todo o lado. Quando chegamos, depois de OITO horas, estava todo mundo coberto de gosma.
O lado positivo é que a Jelly agora sabe pilotar buletes.
Bem, na despedida de Belwar, ele disse que era para vingarmos seu irmãos mortos. Dissemos que faríamos isso sem problemas.
Começamos a caminhar, e encontramos uma escadaria. Kalyan abriu uma porta no fim dessa escadaria e entramos em um salão. O apressado do Auden andou mais do que devia e caiu num buraco cheio de ratos (QUE NOJO!!!!!!!!!!!!!) Os ratos ficaram lá mordendo e jogando veneno nele e, mais tarde, na Aritana, que também caiu lá. Havia uns goblins e hobgoblins na sala, mas rapidamente os liquidamos e Auden e Aritana saíram do buraco.
De repente, escutamos gritos de guerra vindo em nossa direção! Era um esquadrão de 6 goblins e hobgoblins correndo ao nosso encontro. Foi tudo tão rápido, que nem vi direito o que aconteceu – parece que o Jever jogou alguma magia neles, só sei que todos morreram na hora.
Bom, diário, era o que eu tinha a dizer por hoje. É muito difícil embrenhar pelos subterrâneos sem sacrificar minha beleza externa, mas esse é o preço que tenho que pagar para salvar a cidade que me adotou, Paraíso do Inverno!